O passarinho preto.
mas ele não podia voar.
vi o passarinho preto
que não sabia voar.
ouvi o passarinho preto
que não parava de cantar,
ouvi o passarinho preto
que triste, só podia cantar.
o passarinho preto
foi roubado do seu lar.
pobre passarinho, engaiolado viajou,
sujo e com fome atravessou o mar.
na terra nova, do lado de cá do mar,
substituiu a arara de tons avermelhados
que no trabalho
não conseguiu se adaptar.
trabalho duro,
pêia,
peleja pelo ninho que
não abriga o pobre passarinho.
mandado pro mercado, vendido foi,
pra's casas grandes e
"mais grandes!"
o sofrimento não tem fim.
vôa, vôa passarinho!
vôa alto e foge daí!
Ganga Zumba!
grande lider voou e levou muitos dali!
Ganga Zumba caiu!
e surgiu o Grande Zumbi!
o passarinho preto não estava
mais sozinho.
deu uns pulos, ciscou!
lutou, cantou, a capoeira dançou.
aprendeu a voar e voou
pro's palmares
o passarinho preto pôde alcançar
novos ares!
e d'outros ares
por liberdade,
começaram a gritar!
(passarinho grita!)
pra quebrar a gaiola
a ajuda surgiu de longe!
Bill!
tempo depois,
Eusébio!
não roubem outros
passarinhos!
os novos ninhos eram livres!
com força, velhinhos,
os passarinhos eram livres também!
Áurea!
maior!
um novo canto,
pode voar, voa passarinho!
canta
passarinho!
somos todos pretos
e pretos ficamos.
sem cor são eles que não sabem dos pretos
e do quão pretos estamos.
resistencia e poesia
nem tão bunita assim (...)
luta, preta cor,
cor e nada a mais.
voa
passarinho!
ainda hoje canta triste,
e resiste o passarinho.
passarinho preto, vermelho, amarelo branco ou azul.
quem é livre? quem tem cor?
o passarinho preto
sabe voar,
ele conhece o céu e todas as cores,
por isso canta e voa.
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