11.11.2011

Frango com ameixas

Sim, essa é uma história de amor. Adianto a você.
Mas não é só isso: uma história de amor como nos acostumamos.

É o relato dos últimos dias do músico Nasser Ali Khan, um violonista que tem a música como o ar, como a coisa essencial e mais necessária ainda que todas as coisas fundamentais pra viver, pra existir, pra ser um homem, um humano. São os dias desde que ele decidiu morrer.


Pelo contrário, as formas que ele pensou pra dar um fim a sua própria vida passa longe de ser um drama, é hilário! Veneno, pra morrer com poesia e melancolia, bala na cabeça pr’um suicídio clássico, pular do penhasco, xii! Se jogar na frente do trem, nops, dolorido demais e finalmente, não viver mais e esperar a morte no seu quarto, lhe pareceu a melhor a opção e, a partir daí as suas memórias nos contam os porquês de não valer mais viver.

Todos temos algo porque viver, todos somos passíveis de perdas e desilusões. Todos perdemos a fé, vez ou outra a tristeza é imensa e isso, percebo, é incrivelmente necessário para que possamos seguir adiante pois, o sol que vem depois das tempestades é sempre mais bonito! O protagonista estava diante de todas essas possibilidades tristonhas e não quis seguir em frente. Ele perdeu a única coisa que o fazia querer ir adiante desde que perdera o seu grande amor pro orgulho, preconceito e ditadura de um pai.

Quando decidiu morrer, casado com dois filhos, estava no auge da infelicidade matrimonial. Nunca prometera amor, tampouco sorria com paixão ou ternura para a mulher que insistia em querer lhe conquistar. Nunca superou a perda do amor juvenil e poético de anos passados. Essa amargura, saudosismo e etc, foi se impregnando, entristecendo e enfurecendo a mulher, pobre mal amada. Ela lhe matou. Numa tarde, ouvira as escondidas ele tocando a musica mais bonita, mais triste, mais encantadora, mais surreal que alguém poderia tocar e, ela sabendo que não era pra ela, lhe tirou a musica quebrando o violino. Ele procurou, procurou mas não conseguiu um instrumento que lhe deixasse feliz com  o som. Foi o fim.

O fim, pra nós cinéfilos, é o inicio do filme que marca de vez a sensibilidade, a ousadia, a arte em exploração profunda de Marjane Satrapi. Assim como já aconteceu com Persépolis - O Filme, quem dirige Frango com Ameixas é a própria quadrinista, em parceria com Vincent Paronnaud - desta vez trocando a animação pelo live-action. Maria De Medeiros, Golshifteh Farahani (Procurando Elly), Isabella Rossellini, Chiara Mastroianni e Jamel Debbouze também estão no elenco.

Aqui, o protagonista nos conta como conheceu, viveu e perdeu o amor. As imagens que dão vida ao roteiro da dupla Satrapi e Paronnaud, nos fazem respirar fundo, ofegar e suspirar a todo momento. Christophe Beaucarne comandou a fotografia e, foi sensacional! Há um equilibrio estético estonteante!

O filme é sobre um homem infeliz.
É sobre o homem mais feliz que a música poderia fazer.
É sobre o quanto não se pode saber sobre o amor.
É sobre a união e, mais ainda sobre a separação.
O pai não entende. Ele é mal. É criança como a menina, a menina mais bonita.

É com o som melancólico e apaixonante do violino que ele alcança o coração dela.
Por causa do tempo, do sino, do sinal, da sina que a vida é, viveram a relâmpagos o amor.

Frango com ameixas é graça e melancolia. É arte, fotografia e mais ainda poesia!

Lágrimas no fim, por causa das coisas que sentimos, não são muito evitáveis. Entende?

O filme é bom, muito, muito bom!
www.celluloid-dreams.com

07.11, Frei Caneca, Mostra Internacional de Cinema em São Paulo.

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