11.10.2011

Valsa com Bashir
Nenhuma guerra pode ser santa.
O que alimenta o espírito humano é a vida e, guerra, você deve saber, não é vida, é destruição. É o pior que o homem já pôde inventar até os nossos dias.

Senti isso com muito mais intensidade ao ver "Valsa com Bashir".
Diferente das situações que os filmes [predominantemente] Norte-Americanos nos proporcionam diante do êxtase e glamour do guerreiro que, servil à pátria, morre deixando medalhas gloriosas aos entes, em Valsa com Bashir, vemos a desconstrução dessas e, de outras fantasias que sem poesia nenhuma pairam sob os ares que nos remetem às guerras.

Um homem, décadas depois de servir a Israel na invasão ao Líbano é levado a um passado que ele conseguira, por muito tempo, esconder de si mesmo. Um amigo, também ex-combatente, lhe conta como tem vivido desde a volta pra casa. Um pesadelo repetido por vinte anos. Uma opressão que o impedia de viver. Uma ressaca infernal e com isso, instiga o protagonista [que também é o diretor do filme] a uma busca, a algo que não interessava ao combatente com dificuldades de memória. Aí, o que nos pega, seria mesmo "memória" a causa do "esquecimento"?

O filme nos mostra que não. Seria mais uma defesa que [psicólogos explicam muito melhor] o soldado conseguira, pra poder viver sem tantos tormentos.

O documentário em forma de animação nos confunde, nos segura, entristece e excita!

Não é sobre a participação de israelenses ou libaneses, um país, nação em uma guerra, não, não é isso! É sobre as pessoas da ponta. Os que fazem a guerra pelos outros, os que morrem mesmo sem serem atingidos por munições físicas.
É sobre o quanto naquele mar, eles eram uma gota. Eram a frente de um absurdo que os maiorais do poder, lógico, não se deram ao trabalho nem de explicar pros meninos recrutas.

Em animação, [por isso, outrora quiseram comparar ao "Persepolis" de Marjane Satrapi, já que este também trata memórias de uma pessoa vitima das guerras e é também um trabalho autobiográfico] são reconstruídas imagens que para alguns, fugiam sem deixar vestígios, desapareciam levando parte da história de muitos, uma auto-defesa para os que conseguiam. Para outros, imagens mais reais ate que as suas próprias realidades.

O roteiro nos conduz em vai e vens por entre as cenas do novo cotidiano dos ex-soldados, mostrando o que fazem e como vivem e aí, nas suas "novas vidas", como sobrevivem às histórias da experiência em guerra.

É seguro e excelente. Um roteiro responsável, como o tinha de ser!

Não é o foco, mas vemos alguns dos principais motivos que mantêm tantas feridas abertas no Oriente Médio. As memórias, são elas vivas nas pessoas, no passado, na história, que impede a cura, a cicatrização.

A opressão setorializada. Religiao absurdamente dominante, um domínio sem escrúpulos, anti-humanos, anti-deuses ou santos e, mesmo assim certificam: a guerra é santa.

Santa demais, sendo pois tão nobre, como explicar tantas mortes?
Certo, eu sei: a morte, na verdade é a recompensa. A moeda de troca aos que suicidam-se quase em estado de transe, uma viajem louca e sem volta.

Já disse, não é o foco mas, as ultimas cenas fogem da proposta de animação e mostram imagens reais que, não sabendo a origem e época, pensaríamos ser imagens dos campos de concentração que dizimaram um número enorme de judeus, ciganos e homossexuais.

Mais que cinema, uma experiência, uma visita à realidades afins.
Valsa com Bashir, um filme pra ver olhando além, como deveria ser sempre.

Lorem ipsum dolor sit amet, consectetuer adipiscing elit, sed diam nonummy nibh euismod tincidunt ut laoreet dolore magna Veniam, quis nostrud exerci tation ullamcorper suscipit lobortis nisl ut aliquip ex ea commodo consequat.

0 comentários:

Postar um comentário

Start Work With Me

Contact Us
JOHN DOE
+123-456-789
Melbourne, Australia